quinta-feira, 23 de agosto de 2018

UMOJA: A UNIÃO ONDE HOMENS NÃO ENTRAM

Procurando na língua Swahili uma palavra que englobasse vários sentidos da palavra "unidade", para nomear minha clínica, fui parar no Kênia, em uma vila onde homens não entram, fundada por mulheres cansadas da homices tradicionais de seus povos. 
Segue o link para quem quiser saborear essa maravilha. 
A aversão ao sofrimento levou essas mulheres a criarem e administrarem uma vila só delas: UMOJA.
http://www.afreaka.com.br/…/umoja-uniao-onde-homens-nao-en…/
🙌🏿

Toda compreensão pode ser empática.

É, no mínimo, interessante, a maneira como, por vezes, não nos damos conta do nosso efeito sobre as pessoas. Eu costumo dizer que, se todo ser humano fosse treinado com êxito em empatia, conforme o conceito rogeriano, metade, ou quiçá a maioria, dos problemas do planeta teriam solução.
Não é raro que as pessoas se creiam empáticas e que tentem demonstrar isso com aqueles "humhum" e "eu te entendo".  Há os que crêem ser a empatia um dom, crêem que o/a empático/a nasce. Perfeita manipulação para se fazer crer que não é possível tornar-se empático/a. A empatia é operacionalizável e, portanto, treinável. Se você não é empático/a, alegre-se: você poder tornar-se empático/a. 

Segundo Rogers (1974/1977), a empatia


significa penetrar no mundo perceptual do outro e sentir-se totalmente a vontade dentro dele. Requer sensibilidade constante para com as mudanças que se verificam nesta pessoa em relação aos significados que ela percebe, ao medo, à raiva, à ternura, à confusão ou ao que quer que ele/ela esteja vivenciando. Significa viver temporariamente sua vida, mover-se delicadamente dentro dela sem julgar, perceber os significados que ele/ela quase não percebe, tudo isto sem tentar revelar sentimentos dos quais a pessoa não tem consciência, pois isto poderia ser muito ameaçador. Implica em transmitir a maneira como você sente o mundo dele/dela à medida que examina sem viés e sem medo os aspectos que a pessoa teme. Significa frequentemente avaliar com ele/ela a precisão do que sentimos e nos guiarmos pelas respostas obtidas. Passamos a ser um companheiro confiante dessa pessoa em seu mundo interior.  Mostrando os possíveis significados presentes no fluxo de suas vivências, ajudamos a pessoa a focalizar esta modalidade útil de ponto de referência, a vivenciar os significados de forma mais plena e a progredir nesta vivência. Estar com o outro desta maneira significa deixar de lado, neste momento, nossos próprios pontos de vista e valores, para entrar no mundo do outro sem preconceitos; num certo sentido, significa pôr de lado nosso próprio eu (p.73).



Sankofa, o pássaro ancestral, dizem.

Em momento de repensamento, nada melhor que se lembrar de que não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu, como nos ensina o povo Akan. 
Colo abaixo matéria pertinente da Revista SANKOFA.
O conceito de Sankofa (Sanko = voltar; fa = buscar, trazer) origina-se de um provérbio tradicional entre os povos de língua Akan da África Ocidental, em Gana, Togo e Costa do Marfim. Em Akan “se wo were fi na wosan kofa a yenki” que pode ser traduzido por não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu”. Como um símbolo Adinkra, Sankofa pode ser representado como um pássaro mítico que voa para frente, tendo a cabeça voltada para trás e carregando no seu bico um ovo, o futuro. Também se apresenta como um desenho similar ao coração ocidental.
Sankofa é, assim, uma realização do eu, individual e coletivo.  O que quer que seja que tenha sido https://sankofaamazonia.files.wordpress.com/2012/08/sankofa-fullsize-ashx.jpeg?w=456&h=307perdido, esquecido, renunciado ou privado, pode ser reclamado, reavivado, preservado ou perpetuado. Ele representa os conceitos de auto-identidade e redefinição. Simboliza uma compreensão do destino individual e da identidade coletiva do grupo cultural. É parte do conhecimento dos povos africanos, expressando a busca de sabedoria em aprender com o passado para entender o presente e moldar o futuro.
Desvela, assim, desde a experiência africana e diaspórica, uma abertura para a heterogeneidade real do saber humano, para que nos possamos observar o mundo de formas diferentes. Em suma, perceber os nossos problemas de outros modos e com outros saberes. Em tempos de homogeneização, esta é a maior riqueza que um povo pode possuir.    
 (Revista SANKOFA de História da África e de Estudos da Diáspora Africana)


terça-feira, 22 de julho de 2014

Acontece, com a primeira postagem.

Criei um blog. 
E me dei conta de que hoje é aniversário de nascimento de Charles. Nunca me esqueço da imagem de minha irmã, Fiinha, com aquele barrigão, gritando, lá no quarto de Bibi. E eu, de olhar curiosíssimo, não conseguia deixar de encarar aquela barriga que se mexia em todas as direções. 
Vou blogar.
E ele morreu na minha casa. Água. Banho. Gás. Asfixia. Adeus!
A vida morre.

Repensar

Repensar ...
Pensar o velho sob um novo ângulo?
Voltar ao velho pensamento?
Pensar para trás?
Pensar em ré?
Não importa. O que não dá é parar. Sem pensar.