É, no mínimo, interessante, a maneira como, por vezes, não nos damos conta do nosso efeito sobre as pessoas. Eu costumo dizer que, se todo ser humano fosse treinado com êxito em empatia, conforme o conceito rogeriano, metade, ou quiçá a maioria, dos problemas do planeta teriam solução.
Não é raro que as pessoas se creiam empáticas e que tentem demonstrar isso com aqueles "humhum" e "eu te entendo". Há os que crêem ser a empatia um dom, crêem que o/a empático/a nasce. Perfeita manipulação para se fazer crer que não é possível tornar-se empático/a. A empatia é operacionalizável e, portanto, treinável. Se você não é empático/a, alegre-se: você poder tornar-se empático/a.
Segundo Rogers (1974/1977), a empatia
significa penetrar no mundo perceptual do outro e sentir-se totalmente a vontade dentro dele. Requer sensibilidade constante para com as mudanças que se verificam nesta pessoa em relação aos significados que ela percebe, ao medo, à raiva, à ternura, à confusão ou ao que quer que ele/ela esteja vivenciando. Significa viver temporariamente sua vida, mover-se delicadamente dentro dela sem julgar, perceber os significados que ele/ela quase não percebe, tudo isto sem tentar revelar sentimentos dos quais a pessoa não tem consciência, pois isto poderia ser muito ameaçador. Implica em transmitir a maneira como você sente o mundo dele/dela à medida que examina sem viés e sem medo os aspectos que a pessoa teme. Significa frequentemente avaliar com ele/ela a precisão do que sentimos e nos guiarmos pelas respostas obtidas. Passamos a ser um companheiro confiante dessa pessoa em seu mundo interior. Mostrando os possíveis significados presentes no fluxo de suas vivências, ajudamos a pessoa a focalizar esta modalidade útil de ponto de referência, a vivenciar os significados de forma mais plena e a progredir nesta vivência. Estar com o outro desta maneira significa deixar de lado, neste momento, nossos próprios pontos de vista e valores, para entrar no mundo do outro sem preconceitos; num certo sentido, significa pôr de lado nosso próprio eu (p.73).